sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Começo

     Ela era baixinha, tinha sobrancelhas grossas e gostava de ouvir rock e conversar sobre política, mas não chamava tanta atenção quanto as outras meninas  que eram altas, bonitas e falavam muita besteira.
     Se você leu Felicidade Clandestina de Clarice Lispector provavelmente deve está pensando que o conteúdo deste texto é plágio, mas calma querido leitor, eu sou a narradora e também a personagem  principal desta história, então eu sei onde eu quero te levar, isso foi apenas uma estratégia para te deixar comovido e se colocar no meu lugar, porque foi com essa situação que eu tive que conviver durante todo o período escolar, por isso eu sempre era vista com a estranha e não era aceita pelos colegas.
     Em acréscimo, as coisas em casa não estavam bem, meus pais haviam se divorciado e eu não tinha um bom relacionamento nem com eles nem com a irmã mais nova. Eu pensava que minha vida era uma merda e realmente era, porque as situações que eu estava vivendo me levaram a rebeldia e a deturpar a minha imagem, em suma, eu era revoltada e depressiva.  
     Mas... num dia do mês de junho de 2007, na hora do recreio, uma reviravolta aconteceu na minha vida. Eu entrei por uma das portas que se encontrava no final do corredor das salas de aula da escola, aquela porta dava acesso a uma sala onde aconteciam reuniões de jovens que "tinham alguma coisa diferente" (antes que você pense alguma coisa errada, eles não usavam nenhuma substância entorpecente, ok?).
     Naquela reunião as luzes do recinto foram apagadas e no escuro foi feita uma oração, eu senti algo novo, algo diferente, algo frio, mas que também era quente (eu sei que a construção desta última frase ficou bonitinha e que até rimou, mas acredite em mim, foi realmente isso que aconteceu).
     Depois daquele dia eu não queria mais parar de ir às reuniões, porém vieram as provas e em seguida as férias de julho e eu só consegui voltar àquela sala em agosto do mesmo ano e todos os dias eu contava os minutos para estar lá, porque eu sabia que seria tocada de uma forma diferente, um toque não na pele, mas na alma e a partir daqueles pequenos momentos diários, eu não vi mais a menina rebelde e depressiva.
     Foi este o modo como Ele entrou na minha vida e desde então, ela nunca mais foi a mesma, isso não significa que tudo foi calmaria, houveram muitas águas e de certo modo, eu sei que ainda viram mais destas águas, mas nada e nem ninguém pode apagar o que Ele sente por mim e o que eu sinto por Ele, um amor incondicional que tudo suporta e tudo crê, um amor único que venceu a morte e me fez viver.

Luana de Sousa
     


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